Gestão empresarial da Petrobras dá lucro aos acionistas e ferra o povo, diz Requião. robertorequiao.com.br/gestao-… # via @requiaopmdb

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Requião mostra o que está por trás da campanha contra o auxílio moradia

O senador Roberto Requião, em um pronunciamento no plenário, nesta ou quarta-feira (7) alertou para o que se esconde detrás da campanha da grande mídia comercial contra o auxílio moradia pago a juízes e procuradores. Deixando claro que é contra o privilégio, o senador disse que a campanha é um recado para que o Judiciário e o Ministério Público não ousem investigar os bancos, o mercado financeiro e mesmo a sonegação praticada por órgãos de imprensa.

Veja a seguir o vídeo e o texto do discurso.

 

TEXTO DO DISCURSO:

Confesso que não sou susceptível à “teoria da conspiração”, embora tenha visto, nesses quase 40 anos de mandatos eletivos, coisas que até o diabo duvidaria.
Aprendi que uma certa dose de ceticismo faz bem à análise concreta de situações concretas. Que as paixões políticas, os arroubos ideológicos, a sofreguidão juvenil nem sempre são bons conselheiros, no ardor da batalha.
Modus in rebus.
Moderação na coisa.
De qualquer forma, alguns acontecimentos recentes transmitem sinais tão óbvios, transparecem tantas evidências que não é preciso nem ciência e nem psicopatias para compreendê-los.
Qual é o prato que a inefável mídia-empresa serve-nos à abundância por esses dias?
Os cinco ou seis grupos de comunicação que sequestram a opinião dos 207 milhões de brasileiros empanturram-nos com o caso do auxílio moradia dos senhores e das senhoras juízes e procuradores.
A vida imobiliária de suas excelências, suas propriedades, o tamanho, a localização e a decoração de suas casas passam por rigorosa devassa.
Por que esse escândalo todo, se isso já era sabido há muito tempo? Que há de novo em uma prática que, embora de moralidade e decoro duvidosos, é largamente disseminada? 
Não é necessário recorrer a teorias ou explicações muito sofisticadas para intuir a resposta.
A mídia-empresa, no desempenho de sua tarefa de vocalizar o pensamento dos donos do poder – o complexo financeiro empresarial com dimensões globais e conformações locais- está passando um recado, fazendo uma advertência.
Depois de abusarem do incenso, das loas, prêmios e mimos endereçados às suas excelências do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal a Lei é Para Todos, os donos da bola querem cadenciar e disciplinar o jogo.
Acima de tudo: querem que suas excelências permaneçam em suas posições e não fujam do esquema até agora praticado.
Quer dizer, que suas excelências mantenham os seus narizes distantes da participação dos bancos nos crimes da Lava Jato, que façam vistas grossíssimas ao óbvio, inescapável conluio do sistema financeiro com os desvios de dinheiro público; que não se metam a escarafunchar o suspeitíssimo acordo da Petrobrás com os fundos abutres, para pagar a supostos investidores norte-americanos supostamente prejudicados, a quantia nada suposta de dez bilhões de reais!; que não peçam a DARF dos Marinho, para que eles comprovem o pagamento de um bilhão de reais de impostos sonegados na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de Futebol ou para que os Marinho expliquem  suas conexões com a Mossack Fonseca, que frequenta tanto a lista do Panama Papers como a de Sérgio Moro; que deixem o Tacla Duran esperneando e continuem dizendo que o que ele tem a dizer não vem ao caso; que o Judiciário, o Ministério Púbico e a Polícia Federal a Lei é Para Todos continuem olhando para o lado enquanto está em marcha o mais corrupto processo de privatizações e concessões da história brasileira; que se façam de desentendidos, como se fizeram até agora, quando o interesse público, de que seriam guardiões,  sejam mortalmente feridos nessas privatizações e concessões; que a Polícia Federal e o Ministério Público permaneçam em silêncio e deixem para lá as solares evidências (eles que tanto adoram evidências) da conexão paulista (Metrô, Rodoanel, Porto de Santos) com os crimes da Lava Jato; os personagens são os mesmos, as empreiteiras são as mesmas, os métodos são os mesmos, as contas na Suíça são iguais, a diferença é o partido; que essa nova  Operação Condor  -criada pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela 13ª Vara Federal-  com suas conexões internacionais clandestinas, ilegais, continue estabelecendo acordos e cooperações não autorizadas pelo Congresso com  os Departamentos de Justiça e de Estado norte-americanos e com  os serviços de espionagem e informações do ocidente; que qualquer tema envolvendo a soberania e a segurança do Brasil, como a venda ilimitada de terras para estrangeiros,  a venda da água, a exploração, contrabando e roubo de minérios estratégicos, a absorção da Embraer pela Boeing  norte-americana e o consequente desvendamento de toda a tecnologia e de informações  sobre a segurança área brasileira; que, ao contrário da prática norte-americana, francesa, inglesa, alemã, russa e chinesa, a nossa Polícia Federal e os operadores da Justiça mantenham-se absolutamente alheios às questões da soberania do Estado Brasileiro e da Segurança Nacional. Que os processos contra notáveis figuras da política brasileira continuem prescrevendo por decurso de prazo, deixem de ser julgados, sejam engavetados ou remetidos às primeiras instâncias, a exemplo do chamado mensalão mineiro ou do trensalão paulista.
Enfim, os que promoveram, entronizaram, transformaram em super-heróis os juízes, os procuradores e os japoneses da Polícia Federal, dão um claro aviso: podemos destruí-los, também.
Quando, semanas atrás, divulgou-se o relatório anual da Oxfam sobre a distribuição de renda no Brasil, revelando que cinco brasileiros -cinco! apenas cinco!- acumulam riqueza equivalente ao que possuem cem milhões de brasileiros –cem milhões!-  a mídia-empresa passou ao largo dessa depravação, mas usou números da pesquisa para desancar os benificiários do auxílio moradia.
Fizeram cálculos para mostrar que o auxílio moradia recebido por juízes, procuradores, ministros e conselheiros de Tribunais de Conta é superior ao que recebem dezenas de milhões de brasileiros.
Longe de mim defender o auxílio moradia, mas usar o relatório da Oxfam, passar por cima dessa concentração de renda obscena, repulsiva que faz cinco brasileiros acumularem o mesmo que cem milhões de brasileiros, para indigitar apenas os juízes é igualmente repugnante.
E pelo que aconteceu até agora, nesses quase 1.500 dias de Lava Jato, não acredito que alguma coisa vá mudar.
Tranquilizem-se senhores donos do poder. Desassuste-se mercado financeiro, aquietem-se e se refestelem nos bilhões que estão lucrando, senhores banqueiros, sintam-se seguros, senhores donos da mídia-empresa que mantém a opinião pública sob controle; repousem em doces sonhos, senhores investidores estrangeiros que estão comprando o nosso país a preço de brechó.
Nada há de mudar!
Se em 1.500 dias os juízes, os procuradores e a Polícia Federal a Lei é Para Todos nada fizeram contra os interesses dos donos do poder, não vai ser agora que eles serão incomodados.
De todo modo, a advertência foi feita com essa campanha de desmoralização do auxílio moradia.  O recado sobre quem manda, sobre o poder de entronizar e destronar de quem manda foi muito claro e direto.
Como se dizia tempos atrás: está tudo dominado e que o país e que os brasileiros se lasquem.