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Requião vota mínimo nacional de 560 reais
O senador Roberto Requião votou na proposta de se fixar o salário mínimo nacional em 560 reais, na sessão do Senado desta quarta-feira, 23, opondo-se aos 545 reais da moção governo federal, por fim aprovada pela maioria dos votos. O senador paranaense foi um dos poucos parlamentares de partido da base do governo que votou contra a proposta oficial. O seu voto já havia sido antecipado desde sua posse no Senado.
Requião foi um dos oradores da sessão, defendeu o salário de 560 reais e disse que a discussão do reajuste estava se dando sob premissas equivocadas, já que os fundamentos da política econômica do governo federal não foram questionados.

Para Requião, a proposta do governo foi extremamente tímida e não explorou todas as possibilidades de se buscar um índice mais elevado. “Na verdade, o índice proposto reflete a política econômica do governo federal, centrada em pressupostos que mais favorecem os rentistas que os trabalhadores”.

Segundo Requião, caso o governo federal temesse que um índice maior pudesse aumentar a demanda e daí dar fôlego à inflação, que aumentasse o depósito compulsório dos bancos, fórmula adequada para enxugar a liquidez. Além da contenção da expansão do crédito consignado.

O senador afirmou ainda que a falta de investimentos em infra-estrutura, privados e públicos, e a ausência de uma política industrial nacional fazem com que todo pequeno aumento de demanda provoque o aumento da inflação. “Em vez de corrigir os problemas estruturais do desenvolvimento brasileiro, o governo pune o trabalhador, comprimindo os seus ganhos”.

Requião criticou também a desvalorização do dólar,”que permite a entrada no país de produtos norte-americanos, japoneses e chineses, desindustrializando o Brasil”.
A política de juros (“os mais altos do planeta”), a alta de impostos e o favorecimento ao capital financeiro foram outros pontos citados por Requião que, segundo ele, precisam ser revistos e reformados.

Luzias e saquaremas


Ironizando as “posições paradoxais” de hoje do PSDB e do PT, Requião citou o historiador Oliveira Vianna, para quem não havia nada mais parecido com um “saquarema” do que um “luzia” no poder. Vianna referia-se a disputa entre liberais e conservadores no Segundo Império, que se sucediam no governo e acabavam defendendo posições diversas das que tinham quando na oposição.
 

 

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